sábado, 8 de outubro de 2011

Texto Argumentativo



Uniões

Tudo começa com uma palavra ou um gesto que provocam uma longa conversa e um longo sorriso. Nasce de um conhecimento superficial e vai crescendo através da troca de ideias, favores, desabafos e necessidades. Ou não!

A Amizade não é feita por etapas nem medida por uma escala. Não tem que necessariamente surgir entre as pessoas que estejam perto de nós e que falam connosco todos os dias. Aliás, muitos de nós consideramos nossos amigos aqueles que na realidade apenas são nossos vizinhos e conhecidos, que nos despertam interesse e conforto, mas não o verdadeiro amor e confiança. A este tipo de relação chama-se amizade de conhecidos. Ainda se distingue a solidariedade colectiva como a amizade que existe entre pessoas que estão do nosso lado e que partilham connosco as mesmas ideias. Esta existe, por exemplo, na guerra ou até mesmo nos locais da paz, as igrejas. Todos se chamam amigos e companheiros, mas na verdade estas relações não passam de uma ligação colectiva e comum. Estas pessoas, na maioria das vezes, nem falam sobre os seus problemas mais íntimos. Continuamente, as relações de posição baseiam-se apenas, tal como o nome indica, na posição social. Passa-se no mundo dos negócios e da política. Ligações como estas duram o tempo que for preciso até satisfazermos uma ou mais necessidades.

Mas será que falar destes três conceitos como significados de amizade é um exercício lógico e prático? Eu penso que não. Amizade verdadeira e saudável é aquela que, pura e simplesmente, surge por acaso. É quando não estamos à espera daquele momento ou daquele contacto com determinada pessoa. Acontece. É possível considerarmos amigo aquela pessoa que se cruza connosco de vez em quando, que nos fala em certos momentos e que nem sempre nos abraça. O que distingue esta relação das outras todas, tendo assim o privilégio de ser considerada a verdadeira amizade, é o sentimento que provoca dentro de nós. É o desejar ter a sua presença, o sentirmo-nos à vontade para falar de tudo, a falta de egoísmo e a pura preocupação, assim como a ligação forte existente. Até nalguns casos, as pessoas ao encontrarem-se pela primeira vez, sentem uma ligação forte do passado como se antes já se tivessem conhecido. Não se trata de uma solidariedade colectiva, mas sim de algo comum que aparenta ter existido e que continua a existir. É uma forte ligação que não deve ser confundida com uma atracção amorosa mas sim levada como um privilégio de nos termos cruzado com alguém que nos faz sentir tão felizes, e não só. Que tem a capacidade natural de nos fazer sentir nós próprios e de partilhar connosco uma simpatia, um interesse único e uma afinidade.

Tal como Francesco Alberoni escreveu no seu livro: “A Amizade começa como um acto sem continuidade, um salto”. Ou seja, por mais que nós lutemos para encontrar a pessoa que idealizamos ser a nossa amiga ou tentar buscar esse mérito em alguém, não adianta de nada porque a verdadeira amizade surge sem avisar, sem esforço e vive da sucessão de encontros das pessoas em causa. Portanto, é uma relação afectiva que apenas aparece e sobrevive das atitudes dos que estão envolvidos. O “salto” é uma forma ideal de ver a Amizade. Retrata a influência positiva que esta tem para a vida de um ser humano.

Ora, nem toda a gente fala da Amizade de uma forma tão positiva e gratificante como esta. Daqui surge um problema do nosso quotidiano. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, outras consideram a Amizade um anacronismo. Tomam-na como uma herança do passado e uma fonte de angústia que vai perdendo importância ao longo dos anos, acabando assim por desaparecer para dar lugar a relações impessoais e objectivas. É considerada ainda um meio para se passar à frente dos outros e para iludir a lei. Vejamos os serviços sociais como exemplo. Este sistema deve fazer as suas prestações não aos recomendados, os “amigos”, mas sim a todos. Seguindo esta lógica, qualquer sistema como este que se basear na Amizade é considerado parcial, negativo e injusto porque apenas atribui importância ao privilégio, recomendação e critérios particularistas. É desta forma que certos indivíduos classificam a Amizade desde o passado até aos dias de hoje. E sim chamo-os a todos estes que pensam desta forma, uns indivíduos.

É verdade que o conceito de Amizade tem perdido valor com o desenvolver da Humanidade. Todos nós sabemos que existem três obstáculos a esta relação afectiva: o mundo dos negócios completamente dominado pelo mercado e interesses económicos de cada um de nós; o mundo da política no que diz respeito à competição pelo poder e o próprio quotidiano pois, com o passar do tempo, o ser humano vai ganhando novos interesses, novas necessidades e múltiplos encontros. No entanto, a Amizade é uma componente essencial da nossa vida. Considero até que ela, em certos casos, poderá se tornar uma necessidade prioritária do homem. O que seria de nós solitários neste Mundo? Sem nenhum apoio, sem ninguém para desabafar, trocar ideias, partilhar experiências e vivências ou simplesmente para comunicar? A resposta é simples…seríamos ninguém. Melhor dizendo, seríamos uns “indivíduos” tais como todos aqueles que defendem que a amizade é inútil e injusta. Esta relação afectiva recebe esta ridícula classificação se nós agirmos como tal. Tudo depende das nossas atitudes e valores, das nossas crenças e conhecimentos, da nossa personalidade e feitio e até dos nossos sonhos. A Amizade foi, é e sempre será condicionada pelo pensamento do ser humano. E se alguém nos perguntar se ela ainda existe no mundo contemporâneo nós iremos afirmar a sua existência e reconhecer a sua sobrevivência perante tudo o que lhe advém. No entanto, todos nós formamos uma união. Todos nós formamos uma Amizade.

Rita Alexandra Matos Nº19 11ºD

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